O incêndio que atingiu tanques de combustíveis na área industrial de Santos, no litoral de São Paulo se encontra no ‘melhor cenário’, segundo o coronel José Roberto Rodrigues de Oliveira, coordenador estadual da Defesa Civil do Estado de São Paulo. Não há mais fogo em nenhum dos tanques, mas o trabalho dos bombeiros continua. Eles não descartam o risco de novas explosões por causa de vazamentos que continuam acontecendo nos tanques.
No começo da manhã, ainda era possível ver um pouco de fogo no local, acompanhado de muita fumaça. Não houve necessidade de aplicação de espumas especiais para apagar o fogo. O resfriamento dos tanques continua sendo necessário para evitar novas explosões. Os bombeiros se reorganizaram por causa do progresso nas ações e caminhões foram transferidos para outras áreas.
De acordo com o coronel José Roberto Rodrigues de Oliveira, é possível dizer que o incêndio se encontra no 'melhor cenário' até então. "Não há mais incêndio nos tanques, somente a saída de chamas de alguns pontos. Nosso objetivo, a partir de agora, é estancar todos os pontos de vazamento.
Por volta das 10h, o Gabinete de Crise, formado pelo Governo do Estado, se reuniu na Prefeitura de Santos para discutir os próximos passos em relação ao incêndio. Ainda segundo Oliveira, o foco dos bombeiros continuará na vedação dos vazamentos. Além disso, as equipes estudam a possibilidade de liberar uma das faixas para caminhões do retão da Alemoa. “Entendemos que há necessidade de se manter funcionando esse tráfego para evitar esse desabastecimento. Temos que encontrar uma solução que não ofereça riscos”, disse.

Já o Prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, falou sobre a decisão de embargar a Ultracargo nesta quinta-feira (9). A empresa está proibida de exercer qualquer tipo de atividade de terminal de combustível no local. "Essa é apenas uma das medidas que tomaremos. Também vamos aplicar uma multa que pode variar entre R$ 5 mil e R$ 50 milhões. Estamos quantificando os prejuízos que foram causados e, nos próximos dias, vamos aplicar a multa", afirmou o prefeito de Santos. Ainda segundo ele, o incêndio é um episódio representativo e muda a visão do Brasil sobre normas de segurança. "As dificuldades para apagar o fogo causam uma sensação de insegurança. O Brasil precisa repensar as legislações", disse.
Em nota, a Ultracargo informou que seu terminal em Santos sempre funcionou com todas as licenças e autorizações necessárias e que suas operações obedecem todas as legislações, regulações e normas técnicas aplicáveis. A companhia acrescenta que vai prestar todos os esclarecimentos necessários à Prefeitura e que continuará em cooperação com as autoridades.
Técnicos da empresa americana Williams Fire & Hazard Control, especializada em incêndios, virão a Santos, nesta sexta-feira (10), para ajudar a estancar os vazamentos nos tanques da Ultracargo, que impedem o fim do incêndio. A empresa já atuou, por exemplo, durante a Guerra do Golfo, para combater incêndios criminosos em poços de petróleo.
O ministro dos Portos, Edinho Araújo, também virá a cidade e se reunirá, por volta das 16h, com o vice governador do Estado de São Paulo, Márcio França, na Prefeitura de Santos, para falar sobre os reflexos no Porto de Santos decorrentes do incêndio no terminal da Ultracargo, no Distrito Industrial da Alemoa, fora da área do Porto Organizado.
Prejuízos ambientais
O incêndio provocou a morte de 7 toneladas de peixes. Os bombeiros utilizaram bilhões de litros de água retirada do mar para resfriar os tanques e parte da água contaminada, acabou sendo devolvida ao mar.
Segundo informações da Cetesb, o último relatório da empresa, divulgado na manhã desta sexta-feira (10), aponta que a qualidade do ar continua boa na região da Baixada Santista, sem riscos para a população. Segundo Fernanda Pirillo, coordenadora geral de emergência ambiental do Ibama, a situação na região já está bem melhor. "Não foram encontrados peixes mortos nas últimas horas. Avistamos algumas garças, o que indica que há peixes vivos no local”, afirma.
Trânsito de caminhões
A entrada de caminhões na Margem Direita do Porto de Santos foi permitida das 22h às 4h para veículos com agendamento nos terminais autorizado pela Codesp. A liberação, válida desde quarta-feira, é feita mediante a apresentação de documento comprobatório e com o limite de até 800 veículos de carga. A medida foi acertada em reunião entre representantes da prefeitura e do setor portuário e de transportes.
A triagem dos veículos e a liberação no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) e nos pátios de estacionamento são realizadas pela Polícia Rodoviária e Ecovias, seguindo a orientação da Secretaria Municipal de Assuntos Portuários.
Na área urbana, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) faz o controle dos comboios de caminhões. No ingresso, os veículos de carga têm como trajeto a Avenida Martins Fontes, ruas Visconde do Embaré e Cristiano Ottoni (que ficará com mão única) até o Porto Valongo. A partir dali, o controle fica a cargo da Guarda Portuária.
Durante a noite e madrugada, segundo a Codesp, 336 caminhões foram liberados para entrar no Porto de Santos. Em dias normais, nesta época do ano, o número gira em torno de 5 mil caminhões na margem direita (Santos). A operação em alguns terminais do Porto de Santos caiu pela metade por causa da proibição da entrada de caminhões na cidade.
Incêndio
O incêndio na empresa Ultracargo começou por volta das 10h de quinta-feira (2). Seis tanques de combustível foram atingidos. No início, a temperatura chegou a 800°C. As causas ainda são desconhecidas.
Bilhões de litros de água do mar são usados para combater as chamas. Como parte da água é poluída e devolvida para o mar, estudos já apontam que o incêndio é responsável por uma alta taxa de mortalidade de peixes na região afetada. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ainda não há previsão para o término dos trabalhos.